{"id":1763,"date":"2025-04-07T15:34:59","date_gmt":"2025-04-07T18:34:59","guid":{"rendered":"https:\/\/miguelramos.adv.br\/?p=1763"},"modified":"2025-04-07T15:36:00","modified_gmt":"2025-04-07T18:36:00","slug":"valor-nominal-de-promissoria-registrado-na-partilha-nao-basta-para-definir-alcance-das-obrigacoes-sucessorias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/miguelramos.adv.br\/?p=1763","title":{"rendered":"Valor nominal de promiss\u00f3ria registrado na partilha n\u00e3o basta para definir alcance das obriga\u00e7\u00f5es sucess\u00f3rias"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"1763\" class=\"elementor elementor-1763\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-05aa44f e-flex e-con-boxed wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no wpr-column-slider-no wpr-equal-height-no e-con e-parent\" data-id=\"05aa44f\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-c024551 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"c024551\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) entendeu que o valor de face de uma nota promiss\u00f3ria, registrado em escritura p\u00fablica de invent\u00e1rio e partilha, n\u00e3o deve ser utilizado para calcular o patrim\u00f4nio transferido por heran\u00e7a e, consequentemente, estabelecer o alcance das obriga\u00e7\u00f5es sucess\u00f3rias.<\/p><p>Uma sociedade de advogados buscava o pagamento de honor\u00e1rios sucumbenciais relativos \u00e0 sua atua\u00e7\u00e3o em processo no qual os pais de um homem falecido se habilitaram como seus sucessores. O ju\u00edzo deferiu a penhora nas contas dos pais, sob o fundamento de que eles teriam herdado patrim\u00f4nio suficiente para arcar com a d\u00edvida.<\/p><p>Ocorre que, de acordo com a escritura p\u00fablica de invent\u00e1rio e partilha, o patrim\u00f4nio herdado pelos genitores foi uma nota promiss\u00f3ria, nunca resgatada, emitida em favor do falecido por uma empresa atualmente em processo de fal\u00eancia.<\/p><p>Ao reformar a decis\u00e3o de primeiro grau, o tribunal estadual entendeu que o valor nominal da nota promiss\u00f3ria n\u00e3o integrava o patrim\u00f4nio dos herdeiros, pois era apenas uma expectativa de cr\u00e9dito com m\u00ednima probabilidade de recebimento.<\/p><h2>Risco de inadimpl\u00eancia diminui o valor da nota promiss\u00f3ria<\/h2><p>No STJ, a sociedade advocat\u00edcia sustentou que eventual inadimplemento do cr\u00e9dito herdado, mesmo que decorrente da fal\u00eancia do devedor, n\u00e3o modifica a responsabilidade dos herdeiros pela d\u00edvida, que deve observar o valor do t\u00edtulo.<\/p><p>O relator, ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, lembrou o entendimento consolidado na corte segundo o qual, encerrada a partilha, os herdeiros respondem proporcionalmente \u00e0 parte da heran\u00e7a que lhes coube, at\u00e9 o limite desse acr\u00e9scimo patrimonial.<\/p><p>Al\u00e9m disso, o ministro destacou que o real valor econ\u00f4mico de uma nota promiss\u00f3ria \u00e9 estabelecido durante a sua circula\u00e7\u00e3o no mercado, e frequentemente fica abaixo do valor que lhe foi atribu\u00eddo no in\u00edcio. &#8220;Por se tratar a rela\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito de manifesta rela\u00e7\u00e3o de risco, a probabilidade real da\u00a0<span class=\"termo-glossario\" data-match=\"mora\" data-termo=\"Mora\" data-significado=\"Mora \u00e9 o retardamento ou imperfeito cumprimento de uma obriga\u00e7\u00e3o. Juros de mora, ou morat\u00f3rios, s\u00e3o aqueles cobrados como compensa\u00e7\u00e3o pelo atraso no pagamento.\">mora<\/span>\u00a0ou da inadimpl\u00eancia \u00e9 sopesada para fins de se arbitrar a taxa de desconto efetivamente aplicada nesses neg\u00f3cios com t\u00edtulos de cr\u00e9dito&#8221;, enfatizou.<\/p><h2>Avalia\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mostrar\u00e1 real valor de mercado<\/h2><p>Por esse motivo, o ministro ressaltou que n\u00e3o pode ser concedido car\u00e1ter absoluto ao valor indicado na escritura de invent\u00e1rio e partilha (o qual correspondia ao valor nominal do t\u00edtulo herdado), sob pena de imputa\u00e7\u00e3o de responsabilidade que extrapola as for\u00e7as da heran\u00e7a.<\/p><p>O relator salientou que a dificuldade em quantificar a nota promiss\u00f3ria n\u00e3o resulta em sua inexist\u00eancia, j\u00e1 que &#8220;mesmo os cr\u00e9ditos de dif\u00edcil recupera\u00e7\u00e3o, especialmente em cen\u00e1rio de elevado n\u00edvel de inadimpl\u00eancia, s\u00e3o objeto de comercializa\u00e7\u00e3o em mercado espec\u00edfico&#8221;.<\/p><p>Para Villas B\u00f4as Cueva, apesar da fal\u00eancia da empresa emissora do t\u00edtulo, ele est\u00e1 sujeito \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, impondo-se aos herdeiros a responsabilidade sucess\u00f3ria no limite da heran\u00e7a, dentro do seu valor de mercado real. \u00a0<\/p><h2>Pagamento deve ocorrer antes da penhora<\/h2><p>No caso dos autos, o relator observou que n\u00e3o houve circula\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo de cr\u00e9dito, e que a substitui\u00e7\u00e3o da parte benefici\u00e1ria se deu por motivo de sucess\u00e3o. Al\u00e9m disso, a satisfa\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito somente ser\u00e1 vi\u00e1vel com a habilita\u00e7\u00e3o dos herdeiros no processo falimentar, quando ser\u00e3o verificadas as condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do cr\u00e9dito \u2013 inclusive a sua classifica\u00e7\u00e3o.<\/p><p>O ministro afirmou que o valor expresso na nota promiss\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 suficiente para representar as for\u00e7as da heran\u00e7a, o que s\u00f3 ser\u00e1 conhecido com o efetivo pagamento do cr\u00e9dito, ainda que parcial, pela empresa que emitiu o t\u00edtulo. Segundo concluiu, essa liquida\u00e7\u00e3o deve ocorrer antes da penhora de valores nas contas dos herdeiros, sob pena de serem responsabilizados al\u00e9m do limite herdado.<\/p><p><a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=285821012&amp;registro_numero=202201097759&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20241206&amp;formato=PDF\">Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 2.168.268<\/a>.\u00a0<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) entendeu que o valor de face de uma nota promiss\u00f3ria, registrado em escritura p\u00fablica de invent\u00e1rio e partilha, n\u00e3o deve ser utilizado para calcular o patrim\u00f4nio transferido por heran\u00e7a e, consequentemente, estabelecer o alcance das obriga\u00e7\u00f5es sucess\u00f3rias. Uma sociedade de advogados buscava o pagamento de honor\u00e1rios sucumbenciais relativos \u00e0 sua atua\u00e7\u00e3o em processo no qual os pais de um homem falecido se habilitaram como seus sucessores. O ju\u00edzo deferiu a penhora nas contas dos pais, sob o fundamento de que eles teriam herdado patrim\u00f4nio suficiente para arcar com a d\u00edvida. Ocorre que, de acordo com a escritura p\u00fablica de invent\u00e1rio e partilha, o patrim\u00f4nio herdado pelos genitores foi uma nota promiss\u00f3ria, nunca resgatada, emitida em favor do falecido por uma empresa atualmente em processo de fal\u00eancia. Ao reformar a decis\u00e3o de primeiro grau, o tribunal estadual entendeu que o valor nominal da nota promiss\u00f3ria n\u00e3o integrava o patrim\u00f4nio dos herdeiros, pois era apenas uma expectativa de cr\u00e9dito com m\u00ednima probabilidade de recebimento. Risco de inadimpl\u00eancia diminui o valor da nota promiss\u00f3ria No STJ, a sociedade advocat\u00edcia sustentou que eventual inadimplemento do cr\u00e9dito herdado, mesmo que decorrente da fal\u00eancia do devedor, n\u00e3o modifica a responsabilidade dos herdeiros pela d\u00edvida, que deve observar o valor do t\u00edtulo. O relator, ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva, lembrou o entendimento consolidado na corte segundo o qual, encerrada a partilha, os herdeiros respondem proporcionalmente \u00e0 parte da heran\u00e7a que lhes coube, at\u00e9 o limite desse acr\u00e9scimo patrimonial. Al\u00e9m disso, o ministro destacou que o real valor econ\u00f4mico de uma nota promiss\u00f3ria \u00e9 estabelecido durante a sua circula\u00e7\u00e3o no mercado, e frequentemente fica abaixo do valor que lhe foi atribu\u00eddo no in\u00edcio. &#8220;Por se tratar a rela\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito de manifesta rela\u00e7\u00e3o de risco, a probabilidade real da\u00a0mora\u00a0ou da inadimpl\u00eancia \u00e9 sopesada para fins de se arbitrar a taxa de desconto efetivamente aplicada nesses neg\u00f3cios com t\u00edtulos de cr\u00e9dito&#8221;, enfatizou. Avalia\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mostrar\u00e1 real valor de mercado Por esse motivo, o ministro ressaltou que n\u00e3o pode ser concedido car\u00e1ter absoluto ao valor indicado na escritura de invent\u00e1rio e partilha (o qual correspondia ao valor nominal do t\u00edtulo herdado), sob pena de imputa\u00e7\u00e3o de responsabilidade que extrapola as for\u00e7as da heran\u00e7a. O relator salientou que a dificuldade em quantificar a nota promiss\u00f3ria n\u00e3o resulta em sua inexist\u00eancia, j\u00e1 que &#8220;mesmo os cr\u00e9ditos de dif\u00edcil recupera\u00e7\u00e3o, especialmente em cen\u00e1rio de elevado n\u00edvel de inadimpl\u00eancia, s\u00e3o objeto de comercializa\u00e7\u00e3o em mercado espec\u00edfico&#8221;. Para Villas B\u00f4as Cueva, apesar da fal\u00eancia da empresa emissora do t\u00edtulo, ele est\u00e1 sujeito \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, impondo-se aos herdeiros a responsabilidade sucess\u00f3ria no limite da heran\u00e7a, dentro do seu valor de mercado real. \u00a0 Pagamento deve ocorrer antes da penhora No caso dos autos, o relator observou que n\u00e3o houve circula\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo de cr\u00e9dito, e que a substitui\u00e7\u00e3o da parte benefici\u00e1ria se deu por motivo de sucess\u00e3o. Al\u00e9m disso, a satisfa\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito somente ser\u00e1 vi\u00e1vel com a habilita\u00e7\u00e3o dos herdeiros no processo falimentar, quando ser\u00e3o verificadas as condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do cr\u00e9dito \u2013 inclusive a sua classifica\u00e7\u00e3o. O ministro afirmou que o valor expresso na nota promiss\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 suficiente para representar as for\u00e7as da heran\u00e7a, o que s\u00f3 ser\u00e1 conhecido com o efetivo pagamento do cr\u00e9dito, ainda que parcial, pela empresa que emitiu o t\u00edtulo. Segundo concluiu, essa liquida\u00e7\u00e3o deve ocorrer antes da penhora de valores nas contas dos herdeiros, sob pena de serem responsabilizados al\u00e9m do limite herdado. 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