{"id":1594,"date":"2025-02-08T18:31:08","date_gmt":"2025-02-08T21:31:08","guid":{"rendered":"https:\/\/miguelramos.adv.br\/?p=1594"},"modified":"2025-02-08T18:32:43","modified_gmt":"2025-02-08T21:32:43","slug":"primeira-turma-reafirma-que-bem-de-familia-voluntario-e-bem-de-familia-legal-coexistem-sob-novo-cpc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/miguelramos.adv.br\/?p=1594","title":{"rendered":"Primeira Turma reafirma que bem de fam\u00edlia volunt\u00e1rio e bem de fam\u00edlia legal coexistem sob novo CPC"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"1594\" class=\"elementor elementor-1594\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-e154ab6 e-flex e-con-boxed wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no wpr-column-slider-no wpr-equal-height-no e-con e-parent\" data-id=\"e154ab6\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-faa3c7c elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"faa3c7c\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) reafirmou o entendimento de que o bem de fam\u00edlia volunt\u00e1rio, que encontra previs\u00e3o no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406.htm#art1711\">artigo 1.711 do C\u00f3digo Civil (CC)<\/a>\u00a0e no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13105.htm#art833\">artigo 833, inciso I, do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC)<\/a>, mant\u00e9m com o bem de fam\u00edlia legal, disposto na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Leis\/L8009.htm\">Lei 8.009\/1990<\/a>, rela\u00e7\u00e3o de coexist\u00eancia, e n\u00e3o de exclus\u00e3o.<\/p><p>Na origem, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) ajuizou execu\u00e7\u00e3o fiscal contra uma empresa e seus devedores solid\u00e1rios. No curso do processo, o ju\u00edzo reconheceu a impenhorabilidade de im\u00f3vel que era utilizado por um dos devedores como moradia da fam\u00edlia.<\/p><p>O\u00a0<span class=\"termo-glossario\" data-match=\"recurso especial\" data-termo=\"Recurso Especial\" data-significado=\"O recurso especial (sigla REsp) \u00e9 dirigido ao STJ para contestar poss\u00edvel m\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o da lei federal por um tribunal de segundo grau. Assim, o REsp serve para que o STJ uniformize a interpreta\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o federal em todo o pa\u00eds.\">recurso especial<\/span>\u00a0chegou ao STJ ap\u00f3s o tribunal de segundo grau afastar a impenhorabilidade, por entender que o CPC teria revogado tacitamente o diploma legal que disp\u00f5e sobre o tema (Lei 8.009\/1990).<\/p><h2>N\u00e3o houve revoga\u00e7\u00e3o t\u00e1cita de dispositivos da Lei 8.009\/1990<\/h2><p>O relator, ministro Paulo S\u00e9rgio Domingues, destacou que, conforme os artigos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Leis\/L8009.htm#art1\">1\u00ba<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Leis\/L8009.htm#art5\">5\u00ba<\/a>\u00a0da Lei 8.009\/1990, o fato de o im\u00f3vel n\u00e3o estar registrado como bem de fam\u00edlia n\u00e3o o torna penhor\u00e1vel. Segundo o magistrado, a prote\u00e7\u00e3o conferida pela lei ao bem de fam\u00edlia n\u00e3o foi revogada com a entrada em vigor do CPC de 2015.<\/p><p>&#8220;A tese de que esses dispositivos foram revogados contraria o pr\u00f3prio C\u00f3digo de Processo Civil, que admite a conviv\u00eancia com outras declara\u00e7\u00f5es legais de impenhorabilidade&#8221;, ressaltou o ministro, apontando o disposto no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13105.htm#art832\">artigo 832 do CPC<\/a>.<\/p><p>O relator enfatizou que adotar como taxativo o rol das hip\u00f3teses de impenhorabilidade, dispostas no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13105.htm#art833\">artigo 833 do CPC<\/a>, \u00e9 incompat\u00edvel com a pr\u00e1tica jur\u00eddica que regula o tema. Conforme explicou, a tradi\u00e7\u00e3o jur\u00eddica brasileira sempre regulou o bem de fam\u00edlia por outros diplomas e normas, como o antigo e o novo C\u00f3digo Civil e a Lei 8.009\/1990.\u00a0<\/p><p>Para o ministro, a reda\u00e7\u00e3o do artigo 833, inciso I, do CPC n\u00e3o implica revoga\u00e7\u00e3o t\u00e1cita do artigo 5\u00ba,\u00a0<em><span class=\"termo-glossario\" data-match=\"caput\" data-termo=\"Caput\" data-significado=\"Cabe\u00e7a. Em textos legislativos, remete \u00e0 parte principal de um artigo.\">caput<\/span><\/em>\u00a0e par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei 8.009\/1990, mas trata de hip\u00f3tese diversa, que &#8220;declara a impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia de menor valor, quando outro n\u00e3o for indicado no registro p\u00fablico&#8221;.<\/p><p><a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=278361140&amp;registro_numero=202401139035&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20241028&amp;formato=PDF\">Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 2.133.984<\/a>.<\/p><p><strong>Fonte:<\/strong> STJ. Not\u00edcia publicada em 29\/11\/2024.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) reafirmou o entendimento de que o bem de fam\u00edlia volunt\u00e1rio, que encontra previs\u00e3o no\u00a0artigo 1.711 do C\u00f3digo Civil (CC)\u00a0e no\u00a0artigo 833, inciso I, do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC), mant\u00e9m com o bem de fam\u00edlia legal, disposto na\u00a0Lei 8.009\/1990, rela\u00e7\u00e3o de coexist\u00eancia, e n\u00e3o de exclus\u00e3o. Na origem, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) ajuizou execu\u00e7\u00e3o fiscal contra uma empresa e seus devedores solid\u00e1rios. No curso do processo, o ju\u00edzo reconheceu a impenhorabilidade de im\u00f3vel que era utilizado por um dos devedores como moradia da fam\u00edlia. O\u00a0recurso especial\u00a0chegou ao STJ ap\u00f3s o tribunal de segundo grau afastar a impenhorabilidade, por entender que o CPC teria revogado tacitamente o diploma legal que disp\u00f5e sobre o tema (Lei 8.009\/1990). N\u00e3o houve revoga\u00e7\u00e3o t\u00e1cita de dispositivos da Lei 8.009\/1990 O relator, ministro Paulo S\u00e9rgio Domingues, destacou que, conforme os artigos\u00a01\u00ba\u00a0e\u00a05\u00ba\u00a0da Lei 8.009\/1990, o fato de o im\u00f3vel n\u00e3o estar registrado como bem de fam\u00edlia n\u00e3o o torna penhor\u00e1vel. Segundo o magistrado, a prote\u00e7\u00e3o conferida pela lei ao bem de fam\u00edlia n\u00e3o foi revogada com a entrada em vigor do CPC de 2015. &#8220;A tese de que esses dispositivos foram revogados contraria o pr\u00f3prio C\u00f3digo de Processo Civil, que admite a conviv\u00eancia com outras declara\u00e7\u00f5es legais de impenhorabilidade&#8221;, ressaltou o ministro, apontando o disposto no\u00a0artigo 832 do CPC. O relator enfatizou que adotar como taxativo o rol das hip\u00f3teses de impenhorabilidade, dispostas no\u00a0artigo 833 do CPC, \u00e9 incompat\u00edvel com a pr\u00e1tica jur\u00eddica que regula o tema. Conforme explicou, a tradi\u00e7\u00e3o jur\u00eddica brasileira sempre regulou o bem de fam\u00edlia por outros diplomas e normas, como o antigo e o novo C\u00f3digo Civil e a Lei 8.009\/1990.\u00a0 Para o ministro, a reda\u00e7\u00e3o do artigo 833, inciso I, do CPC n\u00e3o implica revoga\u00e7\u00e3o t\u00e1cita do artigo 5\u00ba,\u00a0caput\u00a0e par\u00e1grafo \u00fanico, da Lei 8.009\/1990, mas trata de hip\u00f3tese diversa, que &#8220;declara a impenhorabilidade do bem de fam\u00edlia de menor valor, quando outro n\u00e3o for indicado no registro p\u00fablico&#8221;. Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no REsp 2.133.984. Fonte: STJ. 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