{"id":1571,"date":"2025-02-08T18:08:25","date_gmt":"2025-02-08T21:08:25","guid":{"rendered":"https:\/\/miguelramos.adv.br\/?p=1571"},"modified":"2025-02-08T18:09:21","modified_gmt":"2025-02-08T21:09:21","slug":"justica-nao-pode-determinar-que-terceiro-cumpra-obrigacao-pela-qual-nao-e-responsavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/miguelramos.adv.br\/?p=1571","title":{"rendered":"Justi\u00e7a n\u00e3o pode determinar que terceiro cumpra obriga\u00e7\u00e3o pela qual n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"1571\" class=\"elementor elementor-1571\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-b21b923 e-flex e-con-boxed wpr-particle-no wpr-jarallax-no wpr-parallax-no wpr-sticky-section-no wpr-column-slider-no wpr-equal-height-no e-con e-parent\" data-id=\"b21b923\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d0bb4d2 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"d0bb4d2\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) definiu que a possibilidade de um terceiro cumprir obriga\u00e7\u00e3o que cabe ao executado, prevista no\u00a0<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13105.htm#art817\">artigo 817 do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC)<\/a>, exige a sua anu\u00eancia, pois n\u00e3o pode ser determinada pela Justi\u00e7a.<\/p><p>Com esse entendimento, o colegiado afastou decis\u00e3o que imp\u00f4s ao munic\u00edpio de Guarulhos (SP) o cumprimento de obriga\u00e7\u00e3o de responsabilidade da propriet\u00e1ria de uma \u00e1rea desmatada. Tanto o ente p\u00fablico quanto a particular foram alvos de uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica proposta pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo, na qual o primeiro foi condenado a controlar e fiscalizar o local degradado, enquanto a propriet\u00e1ria deveria realizar a\u00e7\u00f5es para restaurar a vegeta\u00e7\u00e3o \u2013 entre elas, a demoli\u00e7\u00e3o de uma obra.<\/p><p>O munic\u00edpio cumpriu a sua parte, mas a particular n\u00e3o adotou as medidas necess\u00e1rias. O Minist\u00e9rio P\u00fablico, ent\u00e3o, alegou que o artigo 817 do CPC possibilitaria exigir que um terceiro \u2013 no caso, o munic\u00edpio \u2013 cumprisse a obriga\u00e7\u00e3o \u00e0s custas da particular. O pedido foi atendido pelo Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJSP), o que levou o ente p\u00fablico a recorrer ao STJ.<\/p><h2>Munic\u00edpio n\u00e3o pode ser for\u00e7ado a cumprir obriga\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 sua<\/h2><p>Para o relator do caso, ministro Gurgel de Faria, o tribunal paulista violou a norma do CPC. &#8220;O comando normativo em discuss\u00e3o n\u00e3o permite obrigar<em>\u00a0<\/em>o terceiro a cumprir obriga\u00e7\u00e3o pela qual n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel, mas sim faculta essa op\u00e7\u00e3o&#8221;, disse.<\/p><p>A regra do artigo 817, observou, estabelece que, &#8220;se a obriga\u00e7\u00e3o puder ser satisfeita por terceiro, \u00e9 l\u00edcito ao juiz autorizar, a requerimento do exequente, que aquele a satisfa\u00e7a \u00e0 custa do executado&#8221;. Na avalia\u00e7\u00e3o do ministro, nesse caso, deve haver tanto a anu\u00eancia do exequente como tamb\u00e9m a do terceiro, uma vez que o texto legal usa a express\u00e3o &#8220;puder&#8221; (em vez do verbo &#8220;dever&#8221;) e &#8220;autorizar&#8221; (em vez dos verbos &#8220;determinar&#8221; ou &#8220;requisitar&#8221;).<\/p><p>Gurgel de Faria tamb\u00e9m verificou que o dispositivo legal n\u00e3o prev\u00ea san\u00e7\u00e3o para o caso de o terceiro deixar de cumprir tal obriga\u00e7\u00e3o de fazer, o que, na sua an\u00e1lise, evidencia que a aquiesc\u00eancia \u00e9 indispens\u00e1vel, pois, do contr\u00e1rio, seria uma norma jur\u00eddica sem imperatividade.<\/p><p><a href=\"https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/julgamento\/eletronico\/documento\/mediado\/?documento_tipo=integra&amp;documento_sequencial=276180930&amp;registro_numero=202300099790&amp;peticao_numero=&amp;publicacao_data=20241017&amp;formato=PDF\">Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no AREsp 2.279.703<\/a>.<\/p><p><strong>Fonte:<\/strong> STJ. Not\u00edcia publicada em 12\/11\/2024.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) definiu que a possibilidade de um terceiro cumprir obriga\u00e7\u00e3o que cabe ao executado, prevista no\u00a0artigo 817 do C\u00f3digo de Processo Civil (CPC), exige a sua anu\u00eancia, pois n\u00e3o pode ser determinada pela Justi\u00e7a. Com esse entendimento, o colegiado afastou decis\u00e3o que imp\u00f4s ao munic\u00edpio de Guarulhos (SP) o cumprimento de obriga\u00e7\u00e3o de responsabilidade da propriet\u00e1ria de uma \u00e1rea desmatada. Tanto o ente p\u00fablico quanto a particular foram alvos de uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica proposta pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo, na qual o primeiro foi condenado a controlar e fiscalizar o local degradado, enquanto a propriet\u00e1ria deveria realizar a\u00e7\u00f5es para restaurar a vegeta\u00e7\u00e3o \u2013 entre elas, a demoli\u00e7\u00e3o de uma obra. O munic\u00edpio cumpriu a sua parte, mas a particular n\u00e3o adotou as medidas necess\u00e1rias. O Minist\u00e9rio P\u00fablico, ent\u00e3o, alegou que o artigo 817 do CPC possibilitaria exigir que um terceiro \u2013 no caso, o munic\u00edpio \u2013 cumprisse a obriga\u00e7\u00e3o \u00e0s custas da particular. O pedido foi atendido pelo Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJSP), o que levou o ente p\u00fablico a recorrer ao STJ. Munic\u00edpio n\u00e3o pode ser for\u00e7ado a cumprir obriga\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 sua Para o relator do caso, ministro Gurgel de Faria, o tribunal paulista violou a norma do CPC. &#8220;O comando normativo em discuss\u00e3o n\u00e3o permite obrigar\u00a0o terceiro a cumprir obriga\u00e7\u00e3o pela qual n\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel, mas sim faculta essa op\u00e7\u00e3o&#8221;, disse. A regra do artigo 817, observou, estabelece que, &#8220;se a obriga\u00e7\u00e3o puder ser satisfeita por terceiro, \u00e9 l\u00edcito ao juiz autorizar, a requerimento do exequente, que aquele a satisfa\u00e7a \u00e0 custa do executado&#8221;. Na avalia\u00e7\u00e3o do ministro, nesse caso, deve haver tanto a anu\u00eancia do exequente como tamb\u00e9m a do terceiro, uma vez que o texto legal usa a express\u00e3o &#8220;puder&#8221; (em vez do verbo &#8220;dever&#8221;) e &#8220;autorizar&#8221; (em vez dos verbos &#8220;determinar&#8221; ou &#8220;requisitar&#8221;). Gurgel de Faria tamb\u00e9m verificou que o dispositivo legal n\u00e3o prev\u00ea san\u00e7\u00e3o para o caso de o terceiro deixar de cumprir tal obriga\u00e7\u00e3o de fazer, o que, na sua an\u00e1lise, evidencia que a aquiesc\u00eancia \u00e9 indispens\u00e1vel, pois, do contr\u00e1rio, seria uma norma jur\u00eddica sem imperatividade. Leia o ac\u00f3rd\u00e3o no AREsp 2.279.703. Fonte: STJ. Not\u00edcia publicada em 12\/11\/2024.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1572,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1571","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/miguelramos.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1571","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/miguelramos.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/miguelramos.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/miguelramos.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/miguelramos.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1571"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/miguelramos.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1571\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1576,"href":"https:\/\/miguelramos.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1571\/revisions\/1576"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/miguelramos.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1572"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/miguelramos.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1571"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/miguelramos.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1571"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/miguelramos.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1571"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}